quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Investigação Criminal e Internet das Coisas (IoT)

Polícias de países mais desenvolvidos estão treinando seus efetivos para buscar provas de crimes e indícios de autoria em dispositivos “IoT” (Internet of Things).

Tais dispositivos são objetos do nosso cotidiano (carro, televisor, tênis, fechadura, escova de dente, monitores cardíacos, etc.) dotados de sensores e conectados à Internet, que incorporam inéditas funcionalidades. O exemplo clássico de “IoT” é o da geladeira que avisa que o leite está acabando e se conecta automaticamente ao supermercado para pedir o produto.

O treinamento dos investigadores sugere a busca do material probatório em dispositivos eletrônicos de 5 categorias: automóveis, saúde e fitness, automação e segurança residencial, entretenimento e brinquedos, de acordo com o infográfico do Cyber Center, projeto da International Association of Chiefs of Police (IACPCY). 

Alguns casos já estão chegando aos tribunais americanos e trazendo à baila interessantes questões sobre a admissibilidade desse tipo de prova nos processos, posto não existirem, em relação à espécie, padrões de coleta ou procedimentos validados cientificamente, requisitos das evidências de acordo com a jurisprudência da Suprema Corte (Daubert v. Merrell Dow Pharmaceuticals).

Assim, a análise de um “Fitbit” (pulseira que monitora corrida e caminhada) desmontou o álibi de Richard Dabate, suspeito do homicídio de sua mulher em Connecticut.
James Bates, de Arkansas, respondeu a processo criminal em que os promotores apresentaram os dados coletados da “smart house” como prova de que o suspeito usou uma mangueira para limpar o sangue da vítima escorrido no jardim.
E Ross Compton, de Ohio, foi implicado em fraude contra seguro porque os dados extraídos de seu marca-passo eram incompatíveis com a sua versão sobre o  comportamento que adotou enquanto sua casa pegava fogo.

A IoT será, em 2020, do tamanho de 20 bilhões de aparelhos conectados, segundo o Gartner. Como tecnologia disruptiva, trará profundas mudanças comportamentais e enormes desafios no campo da persecução penal.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Investigação criminal e criptografia

No ano de 2017, o FBI tentou, sem sucesso, acessar 7.775 dispositivos eletrônicos protegidos por criptografia.
Para o diretor da instituição, Christopher Wray, este é um grave problema de segurança pública.
Os Estados Unidos cogitam exigir que fabricantes criem soluções que permitam o acesso de autoridades ao conteúdo de aparelhos encriptados. A isso se opõem as corporações de tecnologia como a Apple, argumentando que tais soluções (backdoors) criam vulnerabilidades que serão, futuramente, exploradas por hackers em prejuízo de seus consumidores.
Investigando o atirador de San Bernardino, Syed Farook, o FBI contratou hackers profissionais para desbloquear o iPhone 5Cs (rodando o iOS 9) apreendido em poder do criminoso. A agência pretendia estabelecer a relação do atirador e de sua esposa com grupos externos.
Sabe-se que, no caso específico do iPhone, a senha de desbloqueio fica armazenada no próprio dispositivo. Após dez tentativas de senhas erradas, o aparelho deleta seu conteúdo. Segundo o Washington Post, os hackers do FBI encontraram ao menos uma falha no iOS e os investigadores teriam conseguido transpor a segurança do aparelho. Não há notícia sobre como o conteúdo foi acessado.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sobre o Portal do Governo de SP que minerava criptomoedas

Cada vez mais gente está usando criptomoedas (especialmente bitcoins), dinheiro virtual de pouca rastreabilidade, que circula mundialmente e sem depender do sistema bancário. O site coinmap.org estima que 72 estabelecimentos de São Paulo (Capital) já o aceitem.
Em Buenos Aires, esse número é bem maior: quando se restringiu a compra de moeda estrangeira na Argentina, parte da população foi buscar proteção contra a inflação na moeda digital e, hoje, há muita dessa espécie sustentando negócios no país vizinho.
Na semana passada, um desenvolvedor do Google publicou uma lista com 1.000 sites que mineravam criptomoedas. Dentre eles estava o Portal do Cidadão, mantido pelo Governo do Estado de São Paulo (no endereço www.cidadao.sp.gov.br).
Assim, quando o usuário acessava o serviço, um código malicioso escrito em JavaScript sequestrava parte do poder da CPU do visitante e a utilizava para criar dinheiro digital em determinada conta (RKbAaJRO6...Qti8a), mantida no site Coinhive. A mágica era possível porque a oferta da capacidade computacional para manter a rede que controla as transações virtuais é remunerada.
Enquanto o assunto era debatido no Twitter pelo pessoal de TI, um desenvolvedor de Caxias do Sul teve a ideia de notificar a Coinhive e a conta teria sido bloqueada.
O Governo do Estado emitiu nota falando de uma “falha pontual já superada” e o script foi removido da página.
Interessei-me pelo assunto e achei na Internet a reprodução do código fonte da página adulterada.
Estranhei a inserção do “Coinhive JavaScript” no topo do html. Passou-me a sensação de que o administrador do site governamental não poderia estar alheio ao comando acrescido.
Dessa impressão, todavia, não compartilha o desenvolvedor de Caxias do Sul, com quem conversei pelo Twitter. Para ele, se fosse voluntária, a inserção do script estaria “ofuscada” (sic) em meio ao código.
Na lista das páginas que mineram criptomoedas (https://docs.google.com/…/1ehxSVoK9sCDwwqQQ6NS07UpkBT…/edit…) encontrei, também, a do “Vestibular Fatec” (http://www.vestibularfatec.com.br). Este caso, entretanto, não despertou a atenção da imprensa.

reprodução do Twitter (@felipehoffa)
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P.S.
Vão aqui duas dicas para quem se interessar pelo assunto: o documentário da Netflix “Banking on Bitcoin” (em Português: “Banco ou Bitcoin”) e “Blockchain: Massively Simplified”, disponível no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=k53LUZxUF50). 

A busca domiciliar sem mandado judicial

Publicado no site de "Defenda PM" em 25 Set 2017.

domingo, 14 de maio de 2017

O ciberataque mundial de 12/5/17

O ciberataque da última sexta-feira surpreendeu pela dimensão (99 países foram atingidos), pela significância de algumas de suas vítimas (Renault, Germany’s Rail Service, Deutsche Bank, Telefónica, Santander, etc.) e pela rapidez com que se expandiu pelas redes corporativas independentemente de ações inseguras dos usuários.

O ataque – do tipo ransomware – ficou restrito ao Windows e pode ter usado a ferramenta governamental de hacking conhecida como “EternalBlue”, que se tornou pública em abril deste ano no vazamento de registros da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).

Uma curiosidade do caso é que a ameaça foi neutralizada “por acidente”. O vírus continha uma espécie de “botão de destruição” para checar se estava sendo analisado ou rodava num ambiente computacional real. Ele se comunicava com um determinado endereço web não registrado (“iuq...gwea.com”) e recebia um padrão de resposta.  Um blogueiro do Reino Unido, de 22 anos, encontrou o domínio no código e decidiu registrá-lo, sem saber o que aconteceria. O registro alterou a comunicação com o software malicioso e interrompeu o ataque mundial. A história está no link abaixo (em Inglês).

É muito provável que os responsáveis pelo ataque alterem o código do vírus e em breve o acionem de novo.

Usuários domésticos devem atualizar seus sistemas operacionais e usar o bom senso para seguir links e abrir arquivos enviados por e-mails.

O ataque sem precedentes fará com que a Microsoft disponibilize patches de correção para versões antigas do Windows, inclusive o XP, que há algum tempo não recebia atualizações.

Nos ambientes corporativos, a atualização dos sistemas operacionais não é tarefa trivial e envolve diversos outros fatores além dos custos.

sábado, 15 de abril de 2017

"The Guardian" questiona se os antivírus são necessários

Interessante artigo publicado este mês no "The Guardian" questiona o real valor dos programas antivírus.

Sustenta que esses programas foram essenciais quando os vírus de computador eram escritos por amadores. Hoje, segundo o articulista, tais ameaças são feitas profissionalmente e se espalham, especialmente, através de e-mails e sites, por atos inseguros dos próprios usuários.

Ao lado das ameaças que se destinam a coletar informações de valor, como dados de contas bancárias ou de cartões de crédito, aparece o ransomware, que criptografa arquivos pessoais – como informações financeiras, fotos, etc – e exige das vítimas algum pagamento (normalmente em bitcoins) para desbloqueá-los.

O Windows 10 incorpora uma grande variedade de recursos de segurança. Os novos navegadores são bastante seguros e as principais ameaças derivam de programas de terceiros, como o Oracle Java e os softwares da Adobe.

As seguintes estratégias são recomendadas para manter o sistema operacional seguro:

1) Executar o Windows 10 com suas defesas nativas (Windows Defender, Proteção em Tempo Real, Proteção Baseada na Nuvem, etc.);
2) Executar o Windows 10 como um usuário padrão (previne 90% das ameaças);
3) Manter os aplicativos atualizados;
4) Manter backups confiáveis dos dados pessoais;
5) Escanear o PC periodicamente em busca de ameaças (usando soluções como o MSRT);
6) Lembrar-se de que o Windows 10 oferece boas opções de atualização, restauração e recuperação do sistema operacional.



terça-feira, 14 de março de 2017

Faça o backup dos dados antes de atualizar o iPhone e o iPad para o iOS 10.3.


A nova versão do iOS, sistema operacional da Apple, altera completamente o sistema de arquivos.

Ocorre que os formatos velho e o novo não serão compatíveis entre si. Se alguma coisa der errado durante a atualização (o que não se espera), é bem provável que haja perda de dados.

Por isso, antes de atualizar o seu dispositivo, faça o backup dos dados.

Para saber mais (em Inglês): ZDNET